Dercy Gonçalves é, sem dúvida nenhuma, um ícone da cultura brasileira. Seu carisma, sua irreverência e deboche, seu humor apimentado, fizeram dela uma das figuras mais queridas do nosso teatro, cinema e televisão.
Foram mais de 80 anos de atividade numa trajetória que poucas atrizes brasileiras podem se orgulhar de ter no currículo. Desde que fugiu de casa, aos 17 anos para se juntar á Companhia Maria Castro, não parou mais. Apresentou-se com companhias mambembes, circos e cabarés, viajando pelo Brasil, até se fixar no Rio de Janeiro, onde trabalhou com os grandes humoristas e diretores de teatro de revista do período: Manoel Pinto, Aracy Cortes, Oscarito,Grande Otelo, Chianca de Garcia, César Ladeira, Walter Pinto, entre outros. Foram mais de 70 peças entre as décadas de 30 a 90 nas quais criou um estilo, uma forma de fazer humor todo seu e absolutamente brasileiro.
No cinema, onde estreou em 1944, atuou em 24 filmes – 22 longas e 2 curtas metragem - ao lado dos principais nomes da comédia, no período da chanchada. Em 1957 estréia na tv no Grande Teatro Tupi. Ainda na tv, participa de programas humorísticos e shows, até ter seu próprio programa, em 1966, “Dercy de Verdade”. Mas a televisão não cortou seus laços com o teatro e Dercy continuou se apresentando, “mambembando” pelos palcos do Brasil. Depois vieram as telenovelas - quatro ao todo - a última em 1992. Desfilou pela primeira vez no carnaval de 1986, na Escola de Samba Unidos de Madalena,(na qual desfilaria de novo em 2001 e 2002) numa homenagem prestada por sua cidade natal. Virou assunto nacional ao ser tema da Escola de Samba Viradouro e desfilar de seios de fora, no Sambódromo, em 1991. Mas, se a televisão já lhe prestou merecidas homenagens, é tempo de o cinema fazer justiça a essa que foi uma de suas mais queridas representantes no período áureo da chanchada e grande dama da comédia brasileira. Portanto, o documentário “DERCY DE CABO A RABO” será também a homenagem do cinema brasileiro à atriz, falecida em 2008, aos 101 anos de idade. “DERCY DE CABO A RABO” pretende fazer um retrato de corpo inteiro dessa personalidade que é hoje uma unanimidade nacional. E como diz Maria Adelaide Amaral, “ao mostrar sua cara ela mostra a própria face do Brasil.”